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Na hora certa, para o público certo: o impacto dos vingadores no cinema

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Kevin Feige, Chris Hemsworth, Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Jeremy Renner e Mark Ruffalo, em cerimônia no TCL Chinese Theatre, em Los Angeles. Foto: Willy Sanjuan/Invision/AP

    Vinte e cinco de abril de 2019. Salas de cinema lotadas de fãs e curiosos que buscavam o fim da “Saga do Infinito” nas três horas de duração de Vingadores: Ultimato, dirigido por Anthony e Joe Russo e lançado pelo Marvel Studios. Só no Brasil, 2.700 das 3.556 salas foram dedicadas ao longa, o que equivale a 80% do total do país, segundo o FilmeB.
 

    A história começou a ser contada lá em 2008, com Homem de Ferro, dirigido por Jon Favreu e estrelado por Robert Downey Jr., visto como a cara e a vida do próprio Tony Stark. Hoje, 11 anos depois, o conjunto de 22 filmes, costurados num universo compartilhado, faz história como uma das franquias mais bem sucedidas do cinema, arrecadando mais de US$20 bilhões e conquistando uma legião de fãs. 


    Mais que no lançamento do primeiro filme da equipe, em 2012, é impossível negar: o “fenômeno Vingadores” é uma realidade.

A "fórmula marvel"

    “Se a gente olhar para trás, a história do cinema é marcada por fórmulas. E não tem nada errado com isso. A fórmula do super-herói é algo que faz parte da história do cinema praticamente desde sempre”, explica Filipe Falcão. Doutor em comunicação pela UFPE e pesquisador de cinema, ele teve contato com o mundo dos Vingadores, em 2013, graças aos amigos. De acordo com ele, os filmes da franquia têm elementos fáceis de identificar - a chamada “fórmula Marvel”. “São roteiros simples, feitos na medida exata para você ter cenas de ação, de emoção e humor”, analisa.

    Além disso, ele acredita que, por trás do sucesso dos filmes do estúdio, está não só o público que consome esse tipo de produto, mas que se identifica. “De um tempo para cá, os super-heróis passaram a ser mais humanizados. Eles têm sentimentos, choram, sofrem… Além da questão tecnológica - é uma experiência visual ver um filme dos Vingadores no cinema, na tela correta, com o 3D e o som correto. A soma de tudo isso, na contemporaneidade, talvez tenha preenchido um grupo de fãs que estava em busca de novos filmes de super-heróis”, explica.    

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Robert Downey Jr. em cena de Vingadores: Guerra Infinita (2018)

Aproximar os heróis do público foi um dos trunfos da Marvel

    Na história recente, antes dos filmes do Marvel Studios, as produções de maior destaque do mundo dos super-heróis foram Superman - O Filme, de 1978, dirigido por Richard Donner, Batman, de 1989, dirigido por Tim Burton, a trilogia Cavaleiro das Trevas, sob o comando de Christopher Nolan, em 2005, e os filmes do X-Men, iniciados em 2000, com a direção de Bryan Singer  “No caso dos Vingadores, eles se juntam a um perfil (de público) que precisava de um elemento para preencher aquele espaço. Eles vieram na hora certa, para o público certo, que queria isso. A diferença dos Vingadores é que deu certo”, afirma Filipe.

A jornada do (super) herói

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Harry Potter, Luke Skywalker e Frodo Bolseiro: exemplos clássicos da jornada do herói de Joseph Campbell

    Em 1949, o escritor Joseph Campbell apresentou ao mundo um conceito que permeia diversas histórias da ficção: a jornada do herói, ou monomito. É uma espécie de padrão, que se aplica a personagens famosos da cultura pop, como Harry Potter (da saga Harry Potter, dirigido por Chris Columbos, lançada em 2001), Luke Skywalker (de Star Wars, dirigido por George Lucas, lançado em 1977) e Frodo Bolseiro (de Senhor dos Anéis, comandado por Peter Jackson, 2001). De forma simplificada, se trata de uma estrutura que guia a trajetória do herói da trama, desde o chamado para a aventura, passando pelas provações no meio do caminho, até chegar à solução final do problema em questão. À seu próprio modo, ela também está presente nos filmes dos Vingadores.

 

    “Na verdade, o que temos são formatos de jornada de herói”, explica Filipe. “É interessante observar como ela acaba sendo extremamente forte dentro desse recorte. Por exemplo, os próprios personagens, Tony Stark, Thor, Capitão América… Eles vão ter a jornada do herói. Alguns vão ter essa jornada de forma muito maior, enquanto outros, de forma mais discreta, talvez mais sutil. Mas ela é o elemento básico, a chave”, analisa. 

 

    Apesar da quantidade de filmes do sub-gênero - e, por consequência, que fazem uso da jornada do herói - produzidos atualmente, Filipe acredita que teremos muito tempo de “heróis humanos e show de efeitos especiais” pela frente. “Ainda tem muito fogo para queimar, e o formato não está mostrando sinais de cansaço. Não há esgotamento pelo interesse do público”. Para ele, os riscos são outros. “Talvez nem todos os filmes que estão saindo nessa euforia vão durar, ou, pior, envelhecer bem, o que é outro problema”. Todavia, Filipe diz que esses filmes se tornarão exemplos no futuro. “Daqui a 50 anos, com certeza vamos ter essa referência da jornada do herói de hoje”, afirma.

A geração de super-heróis

    Fenômenos cinematográficos já existiram antes; foi o caso de Harry Potter (2001), Star Wars (1977) e Senhor dos Anéis (2001). Eles são responsáveis por dar nomes ao grupo de pessoas que cresceu acompanhando essas histórias. Não é difícil, por exemplo, encontrar alguém que se identifique como parte da “geração Harry Potter”. Hoje, filmes como os da franquia Vingadores fazem parte do que está sendo chamado de hipercinema do século 21 (conceito que envolve uma junção de fatores do filme: a história, os movimentos de câmera e a quantidade de personagens, entre outros. É uma coisa mais videoclípica - que começou na década de 80 - e agora tem ganhado destaque) e também contribuem para a moldagem de gerações.

 

    “Primeiro, a galera que curte super-herói se sente valorizada, como nunca antes foi, o que é uma coisa muito boa”, indica Filipe. “A outra ideia é que são produções que abrem portas para novos cineastas, que não necessariamente são os grandes nomes do cinema”, explica. O pesquisador acrescenta que, por vezes, quem acaba assumindo esses papéis são justamente cineastas antenados com o conceito do hipercinema. Para ele, os Vingadores auxiliam a moldar a geração de forma objetiva. “Orgulham todo mundo e são uma fonte financeira, aparentemente, inesgotável”, afirma.

    Mesmo que sofra influências, essa mesma geração que - quem sabe? - pode vir a ser conhecida como “geração Vingadores” também interfere, por meio das redes sociais, na produção dos filmes, fazendo dessa relação uma via de mão dupla. Uma das maiores demandas é a por uma maior representatividade, o que confere aos filmes do Marvel Studios um grande compromisso. “É muito importante ter personagens que, talvez, no passado fossem considerados ‘inapropriados’ para estarem em um filme de Hollywood ou de altíssimo orçamento. É um engajamento inclusive político”, aponta Filipe. “O cinema tem uma importância gigantesca em pegar esses personagens e retratá-los de uma forma correta”.

    Tentando acompanhar essas mudanças está a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo prêmio do Oscar. Contudo, ainda segue a passos lentos. “Está mudando, mas acho que vai demorar”, analisa Filipe, que ainda não vê os super-heróis levantando a estatueta de Melhor Filme . “O Oscar tem características muito específicas, coisas que são muito a cara da premiação”. Entretanto, o pesquisador é otimista em relação ao futuro, mesmo com o tempo que leve para que cheguemos lá. “Os filmes de super-heróis, os Vingadores, estão encabeçando o caminho para sair de um nicho muito específico. Eles estão abrindo esse caminho. Que eles possam ser cada vez mais plurais, dinâmicos e representativos”, finaliza.

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Novos aliados, o Pantera Negra e a Capitã Marvel também ajudam nas lutas do mundo real, pela representatividade de negros e mulheres no cinema.

Fotos: IMDB

OS VINGADORES NO CINEMA AO LONGO DOS ANOS: BILHETERIAS

Com valores na casa do bilhão, arrecadação dos filmes é prova do fenômeno

Projeto realizado pelas alunas Lorena Aguiar, Mª Letícia Sarinho e Tereza Ferraz, do 4º período de jornalismo, para a cadeira Jornalismo Multimídia. Registramos que, em nenhum momento, houve intenção de ferir direitos autorais da Marvel Studios, ou qualquer outra produtora de conteúdos audiovisuais (empresas e pessoas), visto que o site foi produzido com fins educativos .  

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